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Publicado em 19 de agosto de 2026
Revistar os empregados é um tema recorrente na Justiça do Trabalho, gerando dúvidas sobre os limites do poder de controle do empregador e os direitos fundamentais do trabalhador.
No entanto, essa medida traz à tona um dilema recorrente nas relações trabalhistas: até que ponto o direito do empresário de proteger seu patrimônio sobressai em relação à privacidade e à dignidade do trabalhador?
Enquanto as empresas buscam formas eficazes de evitar perdas e garantir a segurança de seus insumos, os colaboradores frequentemente se veem expostos a procedimentos que podem soar constrangedores ou invasivos.
Afinal, a empresa pode revistar seus empregados sem violar a lei? Onde termina o poder de fiscalização do patrão e onde começam os direitos fundamentais do cidadão no ambiente de trabalho? Vejamos a seguir.
Até onde o empregador pode revistar o empregado
O empregador detém o poder diretivo e fiscalizador no ambiente de trabalho. Isso significa que a proteção do patrimônio da empresa — especialmente onde há bens passíveis de subtração ou desvio de materiais perigosos — justifica a realização de revistas.
Para ser considerada válida pela Justiça Trabalhista, a inspeção precisa ter um propósito claro e ser conduzida de forma impessoal e geral, sem qualquer direcionamento discriminatório ou pessoal a um trabalhador específico.
O que diz a lei sobre o tema
A legislação trabalhista estabelece limites claros para a conduta empresarial. O artigo 373-A, inciso VI, da CLT proíbe expressamente a realização de revistas íntimas. A violação desse limite ocorre quando há contato físico, coerção para que o funcionário tire suas roupas ou exposição indevida do corpo do trabalhador, conduta que gera o dever de indenizar por danos morais.
O que torna a ação ilegal é o jeito que ela ocorre. A orientação jurídica é que o empregador solicite ao próprio colaborador que exiba o conteúdo de bolsos, mochilas, sacolas ou outros recipientes. O fiscalizador deve apenas observar a manipulação dos objetos pelo empregado, mantendo a impessoalidade e evitando qualquer insinuação de furto.
Direitos e obrigações de patrões e empregados
Para garantir a transparência e resguardar os direitos de ambas as partes, a conduta deve seguir parâmetros técnicos e preventivos:
Exceções e alternativas tecnológicas
Não existem exceções legais que autorizem o descumprimento das regras de proteção à intimidade do trabalhador. A legislação prevê que a fiscalização patrimonial deva ser feita, prioritariamente, por meios que não exijam o contato visual direto com os pertences do empregado.
Entre as alternativas recomendadas estão o uso de detectores de metais, a adoção de vestimentas profissionais sem bolsos e o monitoramento por sistemas de câmeras.
A implementação de procedimentos preventivos bem documentados e o uso de tecnologia são as principais vias para proteger o patrimônio empresarial sem infringir os direitos dos colaboradores.
Conclusão
Por fim, a revista de funcionários é um direito do empregador para proteger seu patrimônio, mas deve ser exercida com responsabilidade e respeito.
O segredo para evitar processos trabalhistas e constrangimentos está na escolha de métodos impessoais, na comunicação transparente e na preferência por soluções tecnológicas.
Ao priorizar o respeito à dignidade do trabalhador, a empresa resguarda seus bens sem comprometer o clima organizacional ou violar a lei.
Fonte: Jornal Contábil
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